sábado, 1 de dezembro de 2012

Mapeando meu desalinho

Dia ruim o de ontem. Não, não ruim, ao menos não de todo. Trabalho normal, noite anterior normal, e no fundo no fundo dia normal. Ao sair lá de onde eu ganho o pão e não como a carne, pego os sinuosos caminhos que me levam até a universidade. Lugar esse que muito embora já não me encha mais os olhos ainda carrega consigo um certo brilho, cousa que vai além da estrutura física local. Bem, difícil foi chegar até lá. Uma vez que depender do transporte público nesta bela cidade de poético nada possui é realmente difícil chegar em qualquer lugar. Não existe pontualidade e poucas cousas me deixam tão demasiadamente desapontada comigo mesma que a falta de pontualidade.Talvez um dia eu volte a tocar nesse assunto, hoje não mais. Depois de muito procurar a pessoa que eu iria encontrar(não se tratava de encontro romântico),achei melhor sentar, ali em uma sombra no meio do caminho. Como quem estivesse em uma encruzilhada, ponto estratégico de onde se vê quase todos os locais mais frequentados, onde todos inevitavelmente acabarão passando. Então olhei, mirei, calculei e achei um banco, a sobra de uma enorme ávrore, onde o calor não era capaz de me alcançar de onde eu teria privilegiada visão das pessoas, procurando encontrar aquela com quem gostaria de falar e desfrutando de alguns momentos agradáveis em um local fresquinho depois de ter passado horas de calor infernal. Como os prazeres podem ser simples quando se passou por momentos relativamente ruins horas antes...Vi passar muita gente, gente legal, gente mais ou menos e gente bem menos.Encontrei quem ha muito já não via,e quem vejo diariamente. Lá pelas tantas a espera estava ficando enfadonha, saquei da mochila os meus mapas do acaso, que tem me acompanhado muito nos últimos tempos. Fiquei ali mapeando os meus próprios acasos, casos e descasos. A esta altura já não estava mais calor, na verdade o vento estava tirando uma com a minha cara, ventava muito, meus cabelos voavam loucamente e pareceram criar vida própria. Pensei que uma vez que estava ventando em todos não somente em mim não faria diferença estar totalmente descabelada , afinal, todos estariam como eu. Deixei que o vento e meus cabelo fizessem o que bem quisessem. Voltei aos meus mapas, aos meus mundos, devo ter ficado tanto tempo perdida na esquina que fica entre as páginas do livro e os labirintos da minha mente que quando levantei os olhos  percebo que tem algo estranho acontecendo. Olho então para frente e vejo, ali, diante dos meus olhos, uma enorme convenção de fadas. Depois vejo que não haviam somente fadas, haviam também piratas, borboletas, lindinhas eram as borboletas, duendes, uma abelha. Percebi que a abelha estava sem suas asas, depois vi que sua suposta mãe as carregava na mão. E dentre todos esses seres místicos, míticos e lindos ali estava ela, totalmente fora de contexto(ao menos na minha cabeça) uma pequena e saltitante Emília, com seus cabelos coloridos. Ela não sentia-se deslocada, pulava e girava como as fadas e os piratas. Fiquei matutando na minha cebecinha o que faziam fadas e piratas em uma mesma apresentação, depois pensei que poderiam haver mais de uma apresentação, depois pensei, deus como sou burra, J.M.Barrie soube muito bem mesclar fadas e piratas, mas também, o cara era foda. E mais um tempo depois pensei, e a Emília? Monteiro Lobato saberia responder. Fiquei viajando tentando imaginar uma possível ligação entre J.M.Barrie e Monteiro Lobato, claro que fiz isso pensando em um tempo sem tempo, os dois convivendo, sendo contemporâneos e conterrâneos. Ahh, como delirei.Foi mais ou menos nessa hora que dei de conta que já não adiantava esperar. E pra variar meu celular, amado celular me abandonou, sou muito trolada por ele. Então levantei e me direcionei até a o centro de tudo. Lá chegando encontrei a Dani (uma dessas pessoas pra lá de  especiais que a vida acaba colocando nos nossos caminhos). Devo ter assustado a guria, por que sua primeira reação ao me ver é perguntar o motivo de eu estar com cabelos de louca. Tive que rir. O vento bagunçara meu cabelo, permiti por achar que se ventava em mim ventava em todos. Engano meu.acho que de fato o vento era cousa somente minha, pois olhei em volta e mais ninguém compartilhava o meu desalinho.Foi nessa hora que pensei, hora de ir pra casa.

Nenhum comentário: