sábado, 1 de dezembro de 2012

Mapeando meu desalinho 3

Como é longa a volta pra casa. Parece que não se chega nunca. O calor voltara e a sensação de saber que senti inveja, de perceber que ser clichê é um saco, de me dar de conta que sempre quando agente se acha, agente se fode. Perceber que agente é ou faz aquelas cousas que condena é triste e repugnante. Certo que Nietzsche teria uma boa explicação para isso. E certamente Jung ou algum autor da música folk teriam a solução para isso. Mas não quero, prefiro eu mesma me assustar com os fantasmas das minhas habitantes, dançar com meus demônios sob a luz do luar. Prefiro tentar lidar com isso e me fuder sozinha, não quero ajuda de profissionais. Nesta hora vejo dois caras sem camisa,deveriam estar celebrando seu próprio desalinho. Quem sabe o vento, aquele que aparentemente soprara só pra mim os atingira também. Quem sabe esse era o normal deles. Fato é que estes bebiam uma bud e isso me fez lembrar o Luciano(mais uma dessas pessoas pra lá de especiais que a vida coloca na nossa estrada). O Luciano sempre bebe bud e só bud, então virou estigma. Se vejo uma bud, lembro dele, inevitável clichê que faz parte de mim, de todas de mim. Entra uma moça e senta do meu lado, puxa papo, fúteis papos de mulheres, sempre bom falar de cabelo, esmaltes , roupas e sapatos, sou mulher e não fujo a regra básica do quanto mais vestidos e sapatos melhor. Chego em casa leve a pesar dos pesares e os pesares de hoje foram pesados. Quando a mãe pergunta sobre como foi o dia respondo: Preciso comprar um telescópio.

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