terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Jeco ,réquiem para nossos verões...

Hoje assim, do nada e totalmente sem saber alguém me fez lembrar... Sabe quando a gente coloca um trecho de uma música? Bem, quando fazemos isso não sabemos o que podemos causar. Ao ver um trecho desses lembrei na hora do meu herói. Do meu amor. Dizem que deus existe. Muito sádico deve ser esse senhor então. Levou de mim o herói da minha infância. Criança sempre tem assim um exemplo, um amor, uma rocha. Comigo não foi diferente. Ele morava longe e parecia me amar tanto quanto eu o amava. De fato ele me amava muito. Vinha sempre me ver, com seu melhor sorriso, sempre de bom humor, sempre feliz em me ver. Nossa, será que é possível amar assim tanto alguém que já era? Não consigo sentir que ele não vem mais. Parece que ele anda ocupado trabalhando e daqui a pouco vem aqui, buzinando sua Brasilia azul, com sua infame e totalmente provocativa camisa do grêmio. Com suas músicas bregas, gritando na frente de casa que tem saudades minha. Dizendo que me ama e que quer uma cerveja. Dizendo que não importa o tempo que passou, ainda somos os mesmos que brincavam na rua, que jogavam taco, quebravam os vidros dos vizinhos, jogavam chinelos em pátios...Sinto que ele vai chegar pedindo   pra sair e comer bauru de picanha. Vai chegar sorrindo dizendo que somos iguais e precisamos sair. Que a nossa música é a melhor, incomparável e nunca ninguém fará música como a gente. Concordando comigo que o verão é um inferno.(Confesso que viveria mil verões, só verões se fosse pra ficar com ele novamente). Até que os verões que vivemos foram maravilhosos. Acampávamos, aprontávamos...Dormíamos, cantávamos, certamente eu era mais feliz na sua presença, esperava ansiosa pelos verões, pelas férias que sempre passávamos juntos. Saudade é pouco, amor é pouco, não sei como poderia dizer o quanto ainda o amo, e não sei se tive oportunidade pra dizer o quão importante ele foi na minha vida. Um brinde ao Jeco, meu primo, meu herói, meu amor, esse é eterno, puro e verdadeiro. Um brinde ao cara que morreu sem nunca ter alterado a voz pra falar comigo, que passou a vida sem brigar e sei o quanto isso é difícil se tratando de mim...