segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

E mais uma vez a ampulheta de Nietzsche vira, vira e vira...

Hoje, com todo esse calor infernal pensei aff! É foda mesmo.Lembrei que ano passado foi a mesma cousa no verão, e no retrasado, e no anterior, anterior., anterior, anterior... Sempre, sempre e sempre. A roda não pára de girar, a vida é sempre a mesma vida. A gente cresce, faz aniversários,engorda, emagrece, corta os cabelos, casa, separa, volta a casar e possivelmente volta a separar... É sempre igual. A gente troca de roupa, troca de casa, troca de cidade, até de continente, e sempre prosseguimos o mesmo ciclo do inferno. Tudo sempre tão pateticamente igual, absurdamente enfadonho e chato. Quem sabe certo mesmo estava  André Gorz  que foi embora antes do final. Mas se  Nietzshe estava certo com o seu temido e implacável retorno, ele ainda irá embora do final muitas e muitas vezes...Todos iremos repetidas vezes reviver nossas angústias, nossas derrotas e nossas vitórias.Temo pela resposta que eu daria a tal demônio, uma vez que não vivi nada tão esplendorosamente grandioso a ponto de querer reviver minhas amarguras só pra juntamente reviver tal fato inestimavelmente valioso. Triste de mim. Creio que todos deveríamos ter uma cousa a nos apegar...Enquanto isso, o demônio, aquele mesmo que se esgueira e traz consigo o tempo sem tempo e o tempo de todos os tempos segue errando por aí, carregando o fardo e a benção de se apresentar e se despedir de nós repetidas e repetidas vezes. Também ele deve se sentir mal com sua árdua e enfadonha tarefa. Mas é assim que a cousa segue e prosseguimos vida afora noite adentro  na espera pelo verão seguinte que obviamente será tão infernal quanto o passado.

Um comentário:

Luciano disse...

Eu tenho fatos pelos quais eu reviveria os ruins só pra voltar em certos momentos que vivi.