quinta-feira, 29 de março de 2012

Gosto até do que julgas imperfeição, e é o que mais gosto.

Neste momento, sentada diante da janela olhando a madrugada lá fora, tendo como companhia meus cães, um free e uma ou duas (ou mais) taças de vinho. A rua deserta de pessoas, no entanto repleta de sentimentos, assim como eu que me inundo de cousas das quais não tenho controle algum. Como já devo ter dito antes costumo vir a gosto de fortes ventanias, e normalmente não sei pra onde elas me carregam. Sentimentos estranhos, abusivos de certa forma. Sim abusivos, tomam conta de mim, me consomem, ultrapassam a barreira (tênue) entre o viável e o ilusório, me confundem e me certificam simultaneamente. A janela me deprime, os cães dormem sossegadamente, a casa dorme silenciosa e pacífica. O vinho acaba, o cigarro se transforma em cinza. Levanto então antes que me venham lágrimas aos olhos. Trato de repor o vinho e de acender outro cigarro. Sento novamente, agora diante da tela do computador, (outra janela). Vejo-te ali, te visito, te consumo em pensamentos, mas mais do que tudo te olho. Olho-te com a liberdade do refúgio do meu quarto, te olho com ternura, com carinho, olho com respeito e admiração. Olho-te em vários ângulos, te olho tanto que já me habituei com as tuas feições. Olho-te por esta janela como não posso te olhar quando te vejo. A segurança que essa janela me oferece proporciona-me vários momentos de visita a tua vida, àquilo que permites que saibamos, o que não é muito, mas também não é nada. A segurança dessa janela permite que no momento que te vejo eu não me policie, eu permita que minhas emoções venham a tona, eu permito por essa janela e somente por essa janela que meus olhos brilhem ao te ver, que minhas mãos tremam e minhas pernas esqueçam que devem sustentar o restante de mim. Decorei teus traços (muito me agradam, diga-se de passagem). Mas não é só isso que me agrada em ti, muito embora tua figura seja pra mim item de colecionador. Gosto de tudo em ti. O modo como te vestes, o perfume que usas, a maneira como falas ( e acredite isso é bastante incomum se tratando de mim e se tratando da situação),das histórias que contas, das canções que ouves, da bebida que bebes. Gosto até do que julgas ser imperfeição, e é o que gosto mais.  Gosto daquilo que estudas e dos livros que lês, dos amigos que tens e da maneira que conduzes tuas amizades. Da cordialidade que é para mim tua maior virtude, Gosto do modo que te impões e da tua confiança, da tua pseudo timidez e dos teus sapatos. Tomaria-te como meu caso não tivesse eu caído no eterno e ingrato campo em que me encontro. Não quero te perder, logo manterei-me aqui nesta zona, que não é de conforto, nem de desconforto total. Ao menos te vejo, ouço tua voz e o que tens a dizer, sempre gosto do que tens a dizer, me agrada muito o que me dizes e sinto que te conheço já a longos anos, talvez a muitas vidas. Como posso sentir-me assim, tão íntima, tão à-vontade, tão segura quando estou perto de ti? Por que me passas essa segurança, essa tranquilidade, essa paz. Nunca senti isso e confesso que me põe levemente desacomodada. Ao mesmo tempo feliz, pois não é isso o que faz com que nós (seres humanos) nos sintamos vivos? Ouço tua música, ouço e te olho. Aproveito estes momentos para olhar pra ti, por que quando estamos de volta ao mundo real não posso permitir que meus olhos encontrem os teus, pois eles revelariam tudo o que se passa dentro de mim, isso te assustaria e te perderia para sempre, cousa esta que eu não arriscaria por absolutamente nada nesta vida. Pois tu, pessoa rara, cara, parece ter sido feita pra mim, jamais arriscaria perder-te por revelar o que de fato sinto. Pois tua companhia me faz tão bem, muito me alegra e me acalma, tens um estranho poder, que é o de desarmar-me, sou fraca, sou carne, sou fiel aos meus sentimentos. Não quero vãos amores, os desprezo, não que eu sinta que possa vires a ser meu, mas por que não posso ser infiel para com aquilo que sinto. O vinho acaba mais uma vez, o cigarro mais uma vez vira cinza, não reponho nem um nem outro, não os quero mais, ao menos não agora. Pois agora estou contigo, estou na tua companhia virtual, na tua frente, mesmo que não me vejas, não me importo, eu te vejo. Eu percorro com os olhos cada centímetro da tua face, cada recôncavo, todo pedacinho de ti é especial para mim. Lembro de ocasiões que estávamos juntos, e sempre penso que realmente tu és pessoa única neste mundo. Lembro da tua gentileza, dos teus olhos cordiais, da tua imponência masculina, das tuas mãos, teus cabelos (pacos) e do teu sorriso. Tua disposição e dedicação deveriam ser tomadas como exemplo. Deve haver algo de muito errado comigo, pois até a tua fé(cousa que meu ateísmo ‘do qual eu não tenho dúvidas e sou convicta’ não compreende) me agrada. Tuas convicções, acho linda a forma como encaras a vida, sempre que saio da tua companhia saio esperançosa. Há algo em mim que se renova depois da tua presença. Se tu soubesses a importância que tens na minha vida, o peso que tens, talvez tua visão a meu respeito fosse outra. Talvez não, nunca saberemos. Agora te vejo mais um pouco, não me canso de olhar teus olhos. Até tua presença virtual e fotográfica me faz bem. Que poder é esse que exerces sobre mim? Como me acalmas, me tranquilizas, amenizas minhas dores, meus rancores, minhas mágoas. Que segredo é este que guardas, que é capaz de me fazer mudar o rumo, atitudes, pensamentos. O que trazes na tua bagagem que te ensinou meu manual? O que tem na tua voz que me desarma, no teu sorriso que me encanta, na tua risada que me alegra, na tua disposição que me contagia, na segurança que me ofereces, na força que me transmites. Enquanto não tenho tais respostas, volto a te ver da minha janela virtual, agora reponho o vinho, trago mais um free e continuo madrugada a dentro a ver-te enquanto provavelmente dormes...

5 comentários:

Kid Bengalas disse...

Cabelo opaco, sapato, rosto com congruosidade, vixi... fico imaginando a figura bizonha

Shana Corrêa disse...

Não se engane caro Senhor Bengalas, a figura esta a qual refiro-me de "bizonha" nada possui. E digo mais o senhor inclusive apresenta certo apreço pela sua figura...

Luciano disse...

Shana , me diz por que nunca nenhuma guria escreveu nada assim pra mim, nunca escreveram sobre mi. No dia que eu ganhar algum "escrito" que se aproxime deste nem saberia o qu e fazer, que homem não quer ser descrito como "dos teus olhos cordiais, da tua imponência masculina, das tuas mãos, teus cabelos (pacos) e do teu sorriso. Tua disposição e dedicação deveriam ser tomadas como exemplo. "
Olha, sempre gosto das tuas cousas, mas esta aqui me caiu os butiá!

Shana Corrêa disse...

Lu querido, nunca saberemos se aquele que me inspira gostará ou não, pois não o será dito. E pode guardar os butiás de volta no bolso por que eu vou te dizer pela última vez : Eu lírico".

Sandra disse...

Shaninha, que lindo isso!
(esquecendo que é eu lírico)
Quem não se sentiria lisonjeado com algo assim, quem dera eu tivesse alguém que me visse com esses olhos...