sábado, 31 de março de 2012

Presa como um animal selvagem em uma jaula de circo

Onde estão minhas forças?
Cadê a minha garra?
Não sei onde elas foram parar.
Quem sabe estejam no mesmo abismo em que se encontra a minha coragem.
Ou quem sabe esta já não se encontra em canto algum.
Hoje o grito não saiu
Ficou entalado na garganta.
Preso como um animal selvagem em uma jaula de circo.
Hoje a vontade foi curta.
O desejo ameno
O amor foi triste.
Os negócios não foram
Estudos malfadados
E amores perdidos.
Hoje o vinho secou, o cigarro apagou e a noite amanheceu.
Não vi a cara do dia
Nem vi a lua brilhar
Não  senti o vento soprar.
Mas as lágrimas
Estas insistem em permanecer...

Ok, desisto.

Nesta noite eu me apaixonei, desapaixone e  reapaixonei...Nesta que é apenas mais uma das nefastas noites de águas profundas eu não consegui ser o que eu sou. Não pude fazer o que deveria fazer, não pude ter o que deveria ter. Fui fraca, fui pequena, fui burra... Tentei durante mais de duas horas encontrar uma definição satisfatória sobre sujeito oculto, não encontrei. Tive oportunidade de dizer o que sinto, engasguei, achei que iria perder (mesmo ainda não tendo), nem isso aconteceu.  Assisti um vídeo de amor puro e verdadeiro que me levou as lágrimas, comi pão, recusei amigos , remoí tristezas antigas, dormi, acordei, não sonhei...Nesta noite soturna eu percebi que nunca terei aquilo que quero, talvez tenha algo do que preciso, mas o que quero não será meu. Esta é a maldita noite das verdades escancaradas, do peito apertado, da dieta esquecida e dos olhos inchados. Tudo isso por que percebi que não, não quero mais me enganar, mascarar a verdade sobre mim. Eu fali, dei errado, não consegui, falhei, não soube fazer nada direito e cansei. Esta noite eu cansei , desisto, jogo a toalha e dou a vaga para quem seja mais forte, tenha mais coragem e não seja assim tão demasiadamente fraca como eu.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Gosto até do que julgas imperfeição, e é o que mais gosto.

Neste momento, sentada diante da janela olhando a madrugada lá fora, tendo como companhia meus cães, um free e uma ou duas (ou mais) taças de vinho. A rua deserta de pessoas, no entanto repleta de sentimentos, assim como eu que me inundo de cousas das quais não tenho controle algum. Como já devo ter dito antes costumo vir a gosto de fortes ventanias, e normalmente não sei pra onde elas me carregam. Sentimentos estranhos, abusivos de certa forma. Sim abusivos, tomam conta de mim, me consomem, ultrapassam a barreira (tênue) entre o viável e o ilusório, me confundem e me certificam simultaneamente. A janela me deprime, os cães dormem sossegadamente, a casa dorme silenciosa e pacífica. O vinho acaba, o cigarro se transforma em cinza. Levanto então antes que me venham lágrimas aos olhos. Trato de repor o vinho e de acender outro cigarro. Sento novamente, agora diante da tela do computador, (outra janela). Vejo-te ali, te visito, te consumo em pensamentos, mas mais do que tudo te olho. Olho-te com a liberdade do refúgio do meu quarto, te olho com ternura, com carinho, olho com respeito e admiração. Olho-te em vários ângulos, te olho tanto que já me habituei com as tuas feições. Olho-te por esta janela como não posso te olhar quando te vejo. A segurança que essa janela me oferece proporciona-me vários momentos de visita a tua vida, àquilo que permites que saibamos, o que não é muito, mas também não é nada. A segurança dessa janela permite que no momento que te vejo eu não me policie, eu permita que minhas emoções venham a tona, eu permito por essa janela e somente por essa janela que meus olhos brilhem ao te ver, que minhas mãos tremam e minhas pernas esqueçam que devem sustentar o restante de mim. Decorei teus traços (muito me agradam, diga-se de passagem). Mas não é só isso que me agrada em ti, muito embora tua figura seja pra mim item de colecionador. Gosto de tudo em ti. O modo como te vestes, o perfume que usas, a maneira como falas ( e acredite isso é bastante incomum se tratando de mim e se tratando da situação),das histórias que contas, das canções que ouves, da bebida que bebes. Gosto até do que julgas ser imperfeição, e é o que gosto mais.  Gosto daquilo que estudas e dos livros que lês, dos amigos que tens e da maneira que conduzes tuas amizades. Da cordialidade que é para mim tua maior virtude, Gosto do modo que te impões e da tua confiança, da tua pseudo timidez e dos teus sapatos. Tomaria-te como meu caso não tivesse eu caído no eterno e ingrato campo em que me encontro. Não quero te perder, logo manterei-me aqui nesta zona, que não é de conforto, nem de desconforto total. Ao menos te vejo, ouço tua voz e o que tens a dizer, sempre gosto do que tens a dizer, me agrada muito o que me dizes e sinto que te conheço já a longos anos, talvez a muitas vidas. Como posso sentir-me assim, tão íntima, tão à-vontade, tão segura quando estou perto de ti? Por que me passas essa segurança, essa tranquilidade, essa paz. Nunca senti isso e confesso que me põe levemente desacomodada. Ao mesmo tempo feliz, pois não é isso o que faz com que nós (seres humanos) nos sintamos vivos? Ouço tua música, ouço e te olho. Aproveito estes momentos para olhar pra ti, por que quando estamos de volta ao mundo real não posso permitir que meus olhos encontrem os teus, pois eles revelariam tudo o que se passa dentro de mim, isso te assustaria e te perderia para sempre, cousa esta que eu não arriscaria por absolutamente nada nesta vida. Pois tu, pessoa rara, cara, parece ter sido feita pra mim, jamais arriscaria perder-te por revelar o que de fato sinto. Pois tua companhia me faz tão bem, muito me alegra e me acalma, tens um estranho poder, que é o de desarmar-me, sou fraca, sou carne, sou fiel aos meus sentimentos. Não quero vãos amores, os desprezo, não que eu sinta que possa vires a ser meu, mas por que não posso ser infiel para com aquilo que sinto. O vinho acaba mais uma vez, o cigarro mais uma vez vira cinza, não reponho nem um nem outro, não os quero mais, ao menos não agora. Pois agora estou contigo, estou na tua companhia virtual, na tua frente, mesmo que não me vejas, não me importo, eu te vejo. Eu percorro com os olhos cada centímetro da tua face, cada recôncavo, todo pedacinho de ti é especial para mim. Lembro de ocasiões que estávamos juntos, e sempre penso que realmente tu és pessoa única neste mundo. Lembro da tua gentileza, dos teus olhos cordiais, da tua imponência masculina, das tuas mãos, teus cabelos (pacos) e do teu sorriso. Tua disposição e dedicação deveriam ser tomadas como exemplo. Deve haver algo de muito errado comigo, pois até a tua fé(cousa que meu ateísmo ‘do qual eu não tenho dúvidas e sou convicta’ não compreende) me agrada. Tuas convicções, acho linda a forma como encaras a vida, sempre que saio da tua companhia saio esperançosa. Há algo em mim que se renova depois da tua presença. Se tu soubesses a importância que tens na minha vida, o peso que tens, talvez tua visão a meu respeito fosse outra. Talvez não, nunca saberemos. Agora te vejo mais um pouco, não me canso de olhar teus olhos. Até tua presença virtual e fotográfica me faz bem. Que poder é esse que exerces sobre mim? Como me acalmas, me tranquilizas, amenizas minhas dores, meus rancores, minhas mágoas. Que segredo é este que guardas, que é capaz de me fazer mudar o rumo, atitudes, pensamentos. O que trazes na tua bagagem que te ensinou meu manual? O que tem na tua voz que me desarma, no teu sorriso que me encanta, na tua risada que me alegra, na tua disposição que me contagia, na segurança que me ofereces, na força que me transmites. Enquanto não tenho tais respostas, volto a te ver da minha janela virtual, agora reponho o vinho, trago mais um free e continuo madrugada a dentro a ver-te enquanto provavelmente dormes...

Vou dormir


Vou dormir pensando na tua risada festiva e alegre,
tão natural como o anoitecer.
Pensando no teu rosto ,
 nos teus olhos marcados pelo brilho inconfundível.
 Vou dormir lembrando do doce som da tua voz,
do suave perfume que emanas,
da alegria que paira em torno de ti.
 Vou dormir e sonhar com a tua música,
 com os teus ventos com a tua festa.
Vou dormir e sonhar que és meu,
 muito mais que um amigo.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Dragon Baal me dando esperança, mais uma vez

Tenho um grande apreço por “Dragon baal” e volta e meia eu acabo por rever alguns dos episódios que mais me marcaram, e deus do céu, quando eu ouço a canção de abertura do GT meus olhinhos brilham, e sinto novamente o cheiro da esperança. Hoje estava eu ouvindo loucamente essa bela canção que é tão demasiadamente simples e ao mesmo tempo diz tanto pra mim. Sei que pode parecer infantil, mas na verdade, pouco me importo que pareça. Existem cousas nessa vida das quais não podemos nos envergonhar, e sim, eu com 25 anos visto a camiseta do Dragon Baal, e digo sim que ainda sou mega viciada neste que é muito mais que um anime qualquer, é uma lição de vida, de amizade, de força, de garra, de luta ,de esperança e sobre tudo de amor.
Parece que algo muda dentro de mim quando revejo dragon baal, e sinto que sou forte , tenho vontade de lutar, de correr, de vencer, parece que tudo vai dar certo e que eu tenho poderes, levanto meus braços e sinto que sim, eu ainda possuo forças.
Já estava desanimada, maguary com várias situações que tomaram caminhos um tanto antagônicos demais para mim. Mas agora não, agora tenho forças, posso e vou lutar pelo que eu quero, e se eu por algum motivo qualquer não conseguir sozinha, pedirei que amigos levantem seus braços e mandem energia para mim,e se nem assim eu conseguir, bem, terei tentado e não me sentirei tão fraca!



Seu sorriso é tão resplandecente
Que deixou meu coração alegre
Me dê a mão pra fugir desta terrível escuridão
Desde o dia em que eu te reencontrei me lembrei
Daquele lindo lugar
Que na minha infância era especial para mim
Quero saber se comigo você quer vir dançar
Se me der a mão eu te levarei por um caminho cheio de sombras e
De luz
Você pode até não perceber mas o meu coração se amarrou em você
Que precisa de alguém pra te mostrar o amor que o mundo te dá
Meu alegre coração palpita por um universo de esperança
Me dê a mão a magia nos espera
Vou te amar por toda minha vida
Vem comigo por este caminho
Me dê a mão pra fugir desta terrível escuridão






domingo, 25 de março de 2012

Sou tão clichê que chego a me irritar

  Sou uma pessoa estranha, com gostos estranhos, com apetite estranho, com desejos estranhos. Bebo vinho barato e gosto de Lucky Strike e de coca cola...  Tudo isso é tão normal que chega a ser clichê. Gosto de ler, e sim leio Jùlia também e as defendo até o fim. Mesmo não concordando com o que algumas pessoas falam continuo a defender o direito de se manifestarem, sempre! Gosto de blues, rock, jazz e cousas gaúchas... Gosto de Beatles por que como já disse antes, sou normal, é normal ser tri estranho. Cultivo amigos que amo e pelos quais cometeria loucuras. Tenho em minha casa o maior refúgio do mundo, em minha família o maior amor e em meus cachorrinhos o maior carinho. Carrego comigo amores passados, amores amados, amores sofridos, alguns bem vividos, outros confusos, todos bem resolvidos e todos grandiosos dentro do que se propuseram a ser.   Respeito e prefiro que respeitem os ‘postes mijados’. Trago comigo o apreço por violinos e dias de cor acinzentadas. Não tenho grandes ambições e penso que o extraordinário é demais (aprendi isso com algum desenho que não me recordo o nome ). Sou humana, e como tal passível de erro, dotada de mil imperfeições, mas a honestidade eu procuro manter num nível aceitável... Jogo jogos de terror, leio livros de amor, ouço canções tristes, saio pra rua quando faz frio e costumo ser a princípio receptiva com todos que se aproximam, selecionando depois os mais semelhantes... Alguns me consideram extrovertida, talvez, por vezes. Mas sou na verdade bastante tímida. Acredito ( não sei até que ponto)  na igualdade dos sexos, mas ainda penso que o primeiro passo deva partir dos pés do homem, que este ainda deva mandar flores e que a mulher deve sim ser tratada como sexo frágil. Defendo animais e sofro quando nada posso fazer para ajuda-los.  Gosto da solidão em determinados momentos, mas sinto falta da companhia em outros. Falo daquele braço por cima enquanto caminho, de uma mão cruzada, um olhar de cumplicidade, um pé enroscado a noite, um bom dia com segundas intenções, uma volta na praia durante o inverno, cousas simples e pequenas que tornam nossa vida grandiosa e amena...Sou tão normal, tão comum, sou tão clichê que chego a me espantar...








                                    Foto: Fernanda Marques

quinta-feira, 22 de março de 2012

Pura confusão, um vinho a mais, pouca inspiração e muita vontade de escrever, nem que seja isso...


Noite passada chovia, chovia muito, inclusive chovia tanto que eu e o amado amigo que me acompanhava tomamos aquele caldo , essas cousas da vida em que agente fica parecendo ridículo diante de gente desconhecida, mas o que se há de fazer, choveu e nos molhamos muito... Tiramos de letra, tudo na base do ótimo humor!
Mas enfim, depois de muito tempo de banho de chuva involuntário eu cheguei em casa, tomei banho quentinho, café passadinho por mamãe, biscoitinho de gengibre e enfiei-me embaixo do edredom e sabe-se lá por que motivo comecei a pensar sobre o maior dos maiores clichês do mundo “o amor”. Como da pano pra manga o amor, deusolivre o quanto se fala, parece assunto inesgotável... Também é reflexão inesgotável. Mas sei lá, acho que a chuva forte que caia lá fora me fez pensar em quão louco é o amor, em como esse sentimento pode levar pessoas a cometer loucuras, a perder a compostura, a ser ridiculamente apaixonado. Deus do céu coisa bem ridícula é pessoa apaixonada. Não é exatamente uma crítica da minha parte, é mais uma constatação, vejo por mim, eu me apaixono vez por outra, e olha, meus amigos bem que mereciam ganhar um prêmio por me aturar quando me apaixono.  Mas é bom, digo do estar apaixonado, é muito bom. Mesmo que não saibamos se o outro está no mesmo clima ainda assim é válido. Penso que poucas cousas nos fazem sentir tão vivos quanto a euforia da paixão. E sim, gosto de confundir e misturar amor e paixão, pois creio que uma vez que seja erus o amor exige uma forte dose de paixão, e também não há paixão que não carregue consigo uma centelha de amor.
Mas essa ainda não é a reflexão que eu fiz, será que eu ainda recordo da reflexão que eu fiz? Rsrsrsr Na verdade não exatamente, mas era algo entre o amor e a ambição, é era isso. Por que agente gasta tempo demais pensando no que teremos, naquilo que seremos quando crescermos, nas cousas que precisamos do que nos amores que vivemos, as vezes eu fico achando que sou um et ou algo do tipo. Certo dia todos estavam fazendo contas pra ver quanto ganhavam juntando as rendas e tals, eu nunca fiz isso, sou como dizia a tia Rita pirata cigano que gasto tudo que ganho pelo prazer de sonhar... E nada vale o prazer de um amor cheio de paixão, com direto a pernas bambas, a mão trêmula, brumas no olhar... Como é gostosa a sensação de brumas no olhar, aquele momento em que agente espera com o coração disparado ver a pessoa do flerte e quando finalmente vê o olhar turva, os pés se elevam do chão, as mãos suam, e claro, é nesta hora que agente ou tropeça, ou se baba, ou da vontade de arrotar, qualquer cousas que sirva pra nos constranger, por que é bem assim que a cousa funciona, diante da pessoa desejada agente acaba por passar vergonha, como dizia Oswaldo” essa nossa cara de quem vai tropeçar a qualquer momento na frente da namorada”. É verdade caro Oswaldo , se  existe a possibilidade de dar merda, certo que dará!!!
Como sempre acabo por me perder no tema (ainda bem que já passei no vestibular, fuga ao tema zerava a redação na minha época). Voltando, que bom que cedemos a cousa louca que é o amor e espero que façamos isso com afinco e dedicação(risos).
Só pra trazer um argumento de autoridade( sou universitária e dentro da universidade agente só tem palavra quando trazemos palavra de outrem, e que seja forte esse outrem).
“Amor, encantadora loucura; ambição, grave tolice."
Chamfort , Sébastien-Roch

E o que me resta é (penso) muito mais que só um gemido

Ando deveras cansada daquilo que outrora eu havia escolhido , tendo como certo de que era o meu melhor caminho... Mas andar e andar as vezes faz com que pensemos em cousas diversas, em possibilidades diferentes e o estranho de tudo é que quase sempre concluo que estava enganada. Por que me permito tomar caminhos sinuosos pelos quais terei dificuldades posteriormente? Por que cargas d’água não sigo eu na linha reta, aquela onde se vê o horizonte? Pois quando andamos em linha reta sabemos, enxergamos o nosso destino, e quando andamos por serpenteados pagos nunca sabemos ao certo onde iremos parar.
Por que peno ser fodástica o suficiente para não ouvir os conselhos de mamãe, nunca se é adulto o bastante para não seguir conselhos de mamãe, ela sempre sabe, deus que tipo de magia é essa que há nas mães?
Fato é que agora, na metade do caminho eu parei, olhei para os lados e encontrei o horizonte que mais me agradou, e é pra lá que eu vou, vou andando, por vezes correndo e por vezes parando, mas sempre indo!!!!



terça-feira, 6 de março de 2012

De próprio punho parte III



Estou certa que Jane Austen entenderia completamente o que aconteceu durante aqueles séculos 


Foi em uma daquelas corriqueiras noites de inverno que o viu pela primeira vez. O ambiente era o mesmo de sempre, alegre, festivo... Não se recorda a música que tocava, mas havia alguma, as vozes eram altas e descontraídas por vezes excedidas até, mas afinal aquele era o lugar dos excessos, da descontração, da catarse... Não percebeu de imediato, mas naquela noite havia algo diferente no ar e nada tinha a ver com o lugar uma vez que estava tudo normal como sempre na sua mais perfeita desordem. As paredes de um amarelo vulgar, as mesas dispostas de maneira irregular cheias de histórias eletrizantes, a cadeiras ocupadas por mentes em desalinho... Aliás o desalinho impera neste caos tão aconchegante. Mas o que havia de diferente estava no ar, pairava sobre as suas cabeças desajustadas e demasiadamente eufóricas, a histeria era levemente maior naquela noite, havia a boa e velha tensão sexual correndo solta sob seu pés calçados com sapatos confortáveis e na sua maioria já bem surrados. E no meio daquela overdose de informações, de gente, música, burburinho e sentimentos misturados ela pára, sente um calor na altura da nuca, não era nada, estranho, mas esqueçe por estar também no clima da euforia e levemente envolta na névoa colorida e fantasiosa sensação causada pelo vinho. Em um momento totalmente alheatório ela o vê. Não sabendo bem o que aconteceu, mas o coração disparou, as pernas tremeram, o visão ficou turva e algo mudou. A música parecia ter parado, as pessoas que estavam em volta perderam a cor, o brilho, como se estivessem em um quadro e fossem apenas a figura de segundo plano. E ele, gozando da sua completa normalidade. Era demasiadamente comum para me causar tamanha reação, justo quando já acreditava ser imune (estava sendo até então). Tenta argumentar consigo mesma, mas não havia palavra que a convencesse de que aquele não era um enviado dos deuses . Dizia alguma outra que há dentro dela, alguma que tenta se apoiar na razão, esta  outra que lhe   habita dizia que ele era comum, e a perguntava o que ela havia visto ali que poderia meramente ser remetido a um presente dos deuses, ela não sabia se rebatia os argumentos daquela chata que se dizia ser alguma de si ou se continuava a flutuar no seu olhar. Dizia para a outra de si que era justamente a normalidade dele que a encantara, era o seu olhar tão proeminente marcado, o sorriso largo, uma boca com linhas suavemente acentuadas, a barba por fazer exatamente como lhe agrada, o ar displicente, uma certa arrogância saudável, a confiança da mirada, tudo ali era convidativo, muito embora fosse mais novo do que aqueles que costumavam lhe atrair. Seu ar despojado e sua fisionomia estudantil eram por demais encantadoras. Nunca soube  explicar bem o por que foi tão brutalmente fisgada por alguém tão fora dos padrões que costumam lhe excitar. O que havia ali naquele jovem era algo especial, difícil de explicar, quem sabe algo entre o tremendamente comum, beirando a invisibilidade e a impetuosa elegância inglesa. Sustentou o olhar por alguns segundos, segundos esses que pareceram séculos, talvez milênios. Estava certa que Jane Austen entenderia completamente o que acontecera durante aqueles séculos em que seus olhares se cruzaram. Depois disfarçou, era forte e destruidora de corações, isso não acontecia com gente como ela, não de bambear as pernas e tontear. Entregou-se novamente a sua própria histeria digna do lugar, mas algo dentro dela havia se quebrado e era certo que nunca mais as peças se encachariam. Mas sorriu, cantou,brindou, dançou  e bebeu, tomando parte na descompostura local. Mas não pode esquecer sequer por um momento aquele jovem tão marcante e ao mesmo tempo tão comum que pela primeira vez vira naquele mundo a parte. Escorregou para uma cadeira e ali afundou-se não aguentando tanta informação, ele não saíra dali e ela não compreendia sua presença. Olhou para o céu a procura de sei lá, talvez um sinal, aqueles só para iniciados, nada viu além da lua, linda, vigorosa e majestosa na sua resplandecência roubada. Refletiu um pouco abstraindo o barulho de gente feliz e alegre por efeito do álcool.  Só poderia estar sob o efeito de algum feitiço, não havia bebido tanto para sentir aquele turbilhão todo de enigmas e sentimentos confusos.  Poderia ser um delírio e arriscou um novo olhar,  o viu novamente, ali dentro de um jeans tradicional típico dos frequentadores locais, uma jaqueta de couro, não se destacaria na multidão caso as outras pessoas não estivesse no plano secundário da sua visão.                                                                            



sábado, 3 de março de 2012

Para onde olhas agora com teus olhos de ressaca?

As madrugadas são demasiadamente densas, agradeço a companhia do Dé amigo amado, e agradeço a companhia do bom e velho free.  Como nessas densas madrugadas me torno tão ridiculamente melancólica. Rememoro cada vez que o vi, ele com seus olhos de ressaca.  O vejo vagando pelas ondas soturnas da noite. E assim tomo-me em conjecturações acerca do que possa ele estar fazendo.  O que o traz para essas águas tão distantes, será que perdeu o sono, ou será que como eu tem como hábito viver as madrugadas? Que motivos o levam a navegar em ondas tão fracas como essa, será que tem companhia em seu barco, será que navega solitário como eu, ou como um velho lobo do mar, ou piratas ciganos, é sim, aqueles que gatam o que ganham pelo prazer de sonhar... Sempre recordo desta canção, minha mãe a cantava pra mim. Mas voltando ao devaneio noturno do dia, no que será que ele pensa, o que será que aqueles olhos veem agora, nunca saberei... Mas continuo aqui, no meu barco onde só cabem a mim, meu free, e quem sabe algum vinho barato, já que a noite não exige algum que seja bom  uma vez que não há brinde a ser feito...

É sempre bom te ver

Impressionante como existem cousas que apesar de tudo continuam iguais. Isso muito me agrada. Falo de gente, que é gente boa e não há o que faça isso ser diferente. Não importa o quanto o tempo passe, não importam as mudanças climáticas, o situação política atual, a fome no mundo, os micos leões estarem caminhando rumo a extinção, nada, não importa nada, quem é, é e não há o que se possa fazer.
Isso é o máximo, muito me alegra saber que mesmo com certa distância a cumplicidade sempre prevalecerá. E mesmo que mudem os rótulos com os quais nos vestimos seremos sempre irrotuláveis. Por hora chamávamos de namorados, por hora não chamávamos de nada, depois de amigos, depois de nada novamente, depois amigos novamente, e agora. Agora talvez a soma de tudo isso, ou quem sabe nada disso, agora somos o que somos e que bom que ainda somos.

Os olhos e o dono do olhar

Penso hoje que tudo aquilo que há de mais belo e sublime no universo foi extraído daquele olhar. Não teriam os grandes poetas o tomado como inspiração? Quem sabe os compositores das mais lindas canções não o tiveram como base! Certamente há algo de diferente no brilho daqueles olhos. Algo quente, que aconchega, aquece e conforta. Quando vejo seus olhos melodias infinitas me chegam a mente, o violino se torna pequeno tamanhas são as ideias, os dedos parecem poucos. Desejaria ter mais alguns dedos em minhas mãos para poder tocar-te, tocar o que ouço com os ouvidos da mente. Como me inspiras, inspiras em cousas que jamais saberás, em canções que jamais ouvirás, inspiras-me com teus olhos... Se por algum capricho do destino o dono dos olhos mais profundos e do olhar mais enigmático volver seus olhos para mim ouvirá minha melodia, sentirá o que me causa, saberá o que provoca... Se aquele que sustenta o olhar dos olhares soubesse que foram os seus olho que compuseram minhas melhores melodias, talvez, só talvez ele permitisse que por mais tempo eu me perdesse dentro da vastidão que é o mais raro dos olhares.
HG já me dizia que as vezes um par de olhos faz nossa cabeça.



quinta-feira, 1 de março de 2012

Clynelish e Hollywood

Tudo na madrugada insiste em ficar, já que existe tanto espaço em mim

Sozinha, parada, encostada no marco da porta.
Olhar a rua parece ser calmante, mas sequer isso resolve, não é o bastante.
É noite, e as noites são demasiadamente longas quando só o que se tem como companhia é um Clynelish 14 Year Old (sem gelo por que gelo é para os fracos) que estava sendo guardado para alguma celebração. Mas quem se preocupa com celebração quando se tem noites como essa em que as horas passam de uma forma tão lenta que eu bem poderia dizer que dentro de cada uma das horas que se passam existem três, ou quem sabe nove. Nunca saberei exatamente, o tempo é de fato surpreendente e gosta de se fazer de bobo e pregar peças .
Trago um Hollywood os de menta para acompanhar , fazendo assim com que a fotografia soe mais decadente do que de fato é. E trago, mais do que  os tragos...
Não há lua no céu, estranho, ela sempre está por lá, mas não, hoje são apenas passos de ilusão.
Toca o telefone, como se soubesse da precisão de uma voz, mas não é a voz que se espera do outro lado. Mas serve, a conversa perde o sentido, o sorriso não vem ao rosto, a vida parece estagnar.
A casa está vazia e parece enorme, deus como a casa tomou tamanha dimensão? A rua é indiferente a minha presença. O pátio é um abismo para o qual não quero nem olhar.
Como que por falta de opção vou para a cama, que não está nada convidativa, tentar dormir pode ser o melhor a fazer, afinal não é isso que as pessoas costumam fazer nas madrugadas?

Espaço: Vitor Ramil, música feita exatamente para o momento por mim descrito, mais uma das tantas feitas como que pra mim...