sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Meu café é o melhor do mundo






Hoje o dia estava bonito, acordei pela manhã e respirei fundo ao abrir a janela, sinto a leve brisa afagando meu rosto, um cheirinho de terra, olho pro céu e ele está lá, sendo majestoso como sempre, imenso, magnífico e cinza.  Como eu gosto dos dias cinzentos, nublados, onde o calor o sol da lugar a leveza das brumas, onde a irritação que o calor me causa é substituída pela tranquilidade suave do vento. E a chuva, a chuva que cai fina, suave e constante, me conforta. Sempre tive grande apreço pela chuva, e a leveza desta que cai hoje me fez pensar em muitas cousas. Lentamente caminho até a cozinha e enquanto a cafeteira faz seu trabalho distribuindo pela casa o aconchegante aroma do café novinho eu acendo um cigarro. Ainda de camisola abro a porta do quintal, os cachorros saem pra rua com tanta vontade que parecem nem perceber a chuva caindo lá fora, ou percebem e gostam(são estranhos meus cachorros, parecem muito comigo). Fico parada na beirada do degrau que divide minha casa do meu quintal, ali naquele lugar seguro e quase perfeito fico parada na companhia de um free já pela metade. Fico olhando meus amados brincarem na chuva, eles estão deveras felizes, pulam, correm, latem parecem dançar, eles se beijam, se amam, são felizes, estão felizes.   A cafeteira começa a ronronar avisando que não há mais água e meu café está pronto. Com toda a calma que não sei explicar exatamente de onde veio vou a encontro do perfumado e saboroso café, eu ao contrário de muitas outras pessoas que possuem preferência pelo café de outras acredito que o café que eu passo é o melhor do mundo, ainda não tomei um café que tenha sido preparado por outra pessoa que supere o meu(ainda bem, uma vez que não tem muita gente por aí disposta a vir até minha casa todas as manhãs passar café pra mim). Dou o primeiro gole no café e tamanha é minha vontade de saboreá-lo que acabo por queimar a minha língua, que saco, agora ficará áspera por dias! Mas não esquento muito a cabeça, sigo (agora com cautela). Penso na vida, nas velhas e boas cousas da vida. Reflito sobre o momento que estou vivendo, na verdade não sei exatamente como lidar com tudo o que está acontecendo. Na verdade existe um pouco de frustração, de vergonha e um certo arrependimento. Por outro lado há um calor que não sei bem como descrever, algo que aquece, uma sensação de bem estar, de alegria, claro que de angústia e dúvida também. Mas como certa vez Ivan Lins me disse que pode haver um certo prazer em sofrer eu sigo pensando que é apesar dos pesares um bom momento. Existem agravantes, como por exemplo a possibilidade de eu me tornar uma amante platônica irreversível, ou uma rejeitada azeda, ou só mais uma das milhares de mulheres carentes que parecem desesperadas circulando pelo mundo em busca de falsos amores. Enquanto devaneio por essas estradas estreitas ouço latidos, volto até a porta dos fundos e vejo que os cães se desentenderam por conta de um hambúrguer daqueles  de plástico que fazem barulho ao ser mordido. Penso, se eles que se amam tanto e demostram isso a cada gesto e em todos os momentos são capazes de discutir por um brinquedo, então, pensando bem eu não estou assim tão ruim...
Volto pra mesa da cozinha, dou fim no um delicioso café, penso em tomar um banho e depois, bem depois eu vejo. Entro o chuveiro, e como sempre começo a cantar, a canção vem como que sozinha até minha garganta, e é a lista do Oswaldo. Só percebo que música é quando paro: Quantos amores jurados pra sempre, quantos você conseguiu preservar... Aí eu vejo que não, agora não quero fazer promessas, não quero que me façam, não quero rótulos, mas também não quero indecisão. Quero o simples, o perene, o ideal. Me dou conta que o que eu quero está sempre perto e sempre longe, sempre pode ser desejado, mas parece inalcançável. Não está tão distante que eu seja incapaz de observar , tão pouco está tão próximo que eu seja capaz de tatear. Está ali, na tênue linha entre o inalcançável e o consumível. Não sei o que farei do resto do dia, talvez eu me debruce na janela e fique ali olhando para o horizonte e esperando que a montanha venha até Maomé.

3 comentários:

Fredie disse...

Não duvido mesmo que teu café seja bom, mas não reclama que se tu me pedes eu vou aí preparar o teu café. E tem mais,esperar que a montanha venha não é lá muit a tua cara!
Gostei da unha!

Shana Corrêa disse...

A unha é minha, mas quem espera é o eu lírico!!

Sandra disse...

O eu lírico??
Hahã...
Sei...