terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

De próprio punho, parte II


Beijos ,estou de saída

Naquele dia ela havia decidido. Sem relações estáveis, ao menos por um ano, nada disso, chega, basta. O coração sofrera demais nos últimos anos e não haveria motivo algum para se expor novamente. Primeiro deveriam ser feitas fortes suturas e depois esperar que estas cicatrizassem muitíssimo bem ,e isso leva muito tempo. Então com o coração nas palmas das mãos e os olhos inchados de tanto chorar, com as mãos adormecidas de tantos socos simulados no espaço vazio em uma tentativa falha de um extravaso qualquer ,ela desliga o celular, aperta bem um ou dois dos parafusos que pareciam estar soltando em sua cabeça de vento e moradora da lua ,desconecta-se das populares redes sociais e muda o cabelo. Como se isso bastasse para fazer nascer uma outra dentro das muitas que habitavam o seu corpo. Isolou-se do mundo, foi relapsa com amigos, algumas das amizades inclusive foram irremediavelmente perdidas, outras meramente abaladas, mas todas sofreram mudanças. Saiu do trabalho, tornou-se aluna mediana e recusou uma promissora proposta de viagem ao exterior, proposta essa que certamente não será refeita. E por conta de todo este maremoto totalmente destrutivo e avassalador jurou não provar mais dos venenos do amor. Jamais seria tão vulnerável e desprotegida, não era mais a mesma, o que havia se perdido jamais tornaria a ser reconstruído, as estruturas haviam sido comprometidas e a nova construção seria feita em pedra que é menos fácil de ser destruída e mais fria às tentações  tão facilmente antes cedidas. Nunca mais haveria de amar daquela ou de outra forma qualquer. Como estava enganada...                                                     


Um comentário:

Diegão disse...

De próprio punho, é uma série, o que é, explica pro tiu...