sábado, 18 de junho de 2011

Punição para inocência


                                                  

É claro que eu sei que todos nós julgamos tudo e todos durante todo o tempo, as vezes silenciosamente, outras vezes nem tanto, mas fato é que sim, somos de certa forma cruéis em nossos julgamentos, e é hipocrisia pura quem diz não o fazer. Sei também que o ser humano se constitui a partir do olhar do outro e que isso ocorre sempre e nunca irá mudar. Não é minha pretensão tentar inverter os papéis, mudar, trocar, fazer ou falar diferente, não, não é. Neste momento só quero falar, só quero dizer que algumas vezes nos equivocamos em nossos julgamentos, em nossas conclusões que quase sempre são altamente precipitadas, e tudo bem pois isso não é ruim nem bom. Não, péra aí, é ruim sim, é ruim se nosso pensamento deixa de ser apenas um pensamento, se toma forma, é muito ruim quando o pensamento vira verbo e o verbo se faz ato e estamos enganados. E como é fácil nos enganarmos, qualquer cousa pode ser tudo e tudo pode parecer qualquer cousa e em qualquer momento e qualquer situação. É como uma das minhas aulas de literatura portuguesa onde interpretamos poemas de Camões (uma reverência pra Camões),sempre há algumas divergências, alguns pensam ser o seio, o âmago, outros pensam ser o seio, os seios, tem até quem fale de falo. Mas o que falo agora é que assim como divergimos em nossas viagens pela mente de Camões todos podemos divergir e devagar sobre tudo, conjecturar qualquer cousa. E o que mais me intriga, mais do que intriga, me magoa é que muitas vezes acabamos lançando nossos venenos em pessoas que não o mereciam, mas o lançamos por crer que tais pessoas o mereçam. E todos temos os mais variados tipos de venenos, e fazemos uso dessa gama mortal que nos foi dada pela vida, e como nos enganamos. Chico me disse uma vez que o legal era fazer o seu próprio pecado e morrer do seu próprio veneno, sabe das cousas esse Chico.
É tão mais fácil sairmos por aí distribuindo nossa partícula peçonhenta do que de fato mostrar interesse nos acontecimentos que a primeira vista possam parecer antagônicos, e por isso sempre são punidos os inocentes. Em um mundo perfeito não seríamos venenosos seres andando por aí julgando e sendo julgados o tempo inteiro, mas em um mundo perfeito eu seria uma pessoa perfeita, meus cachorros seriam cachorros perfeitos, e como o Humberto me disse há alguns anos em um mundo perfeito seria tudo tão sensato e difícil de aguentar, esse é outro que sabe o que fala e me da ótimos conselhos. Concluo então que é melhor assim, crucificamos aqui, somos apedrejados ali, erramos muito, acertamos pouco, acertam muito em nossas cabeças e assim a vida segue imperfeita e divina e nós a acompanhamos sendo punidos por aquilo que não fizemos. E por que mesmo não fizemos? Não há resposta para uma pergunta que não deveria existir.

2 comentários:

ritinha disse...

Shana, as vezes vc escreve tudo o q eu gostaria q me falasse.Sempre agente é punido, apedrejado,e crucificado, mas tambem fazemos isso e com muita frequência! Gostei da tua intimidade com Chico Buarque e com Humberto Gessinger.Sempre punidos, mas nem sempre culpados.

Shana Corrêa disse...

É Rita, a verdade é que como eu os conheço a tantos anos, (25) pra ser exata me sinto muito íntima desses caras!!
Um outro cara bacana me disse uma outra coisinha uma vez também, e há também uns bons anos.Ele disse que com a mesma severidade que julgamos em um momento seremos condenados.Esse aí ta na lista dos caras que me dizem coisas bacanas, se eu bem me recordo o seu sobrenome é Sheakespeare.