quarta-feira, 25 de março de 2015

Gente organizada, lagartixa, SBP e sapatos lindos.

Não sou dessas pessoas ligadas que sabem os horários dos ônibus, que sabem a previsão do tempo do dia seguinte e deixam a roupa (certa) vista para o trabalho com antecedência. Não sou dessas pessoas que decoram os horários das aulas e suas respectivas salas, números da pasta no xerox, e mail do professor. Eu muito me orgulho quando associo o nome do professor à disciplina.
Sabem, aquelas pessoas que compram sapatos confortáveis que ficam bonitos com as roupas também confortáveis que costumam usar. Eu só compro sapatos que me machucam e roupas que nunca uso por que nunca ficam bem em mim.  Resultado, tenho muito mais sapatos ( todos lindos de morrer, acreditem) do que espaço para guardar e uma infinidade de roupas( lógico também amontoadas em um minúsculo guarda roupas) que não uso. Gosto de todos os meus sapatos e de cada um deles, são a alegria da mina vida, mas devo admitir, não são confortáveis. Admiro essas pessoas que andam sempre muito bem alinhadas, com seus cabelos arrumados e rostos saudáveis. Não há corretivo ou reboco que dê conta de esconder minhas olheiras. Também não consigo ver tempo a dedicar a alguma maquiagem antes de sair para o trabalho. Gostaria de fazer isso, mas como estou dizendo, não sou o tipo ideal de pessoa.  Não sou dessas pessoas espertinhas, que tem um aplicativo no celular para cada necessidade da vida. Meu celular só me irrita e faz ficar com dor de cabeça. Gente que tem o quarto organizado e sabe onde está cada lápis seu. Óbvio que também não sou assim, salve raríssima exceção, meus livros. Estes tem lugar reservado na escrivaninha, organizados impecavelmente em ordem alfabética de acordo com o nome do autor. Fora isto nada mais está em ordem no meu quarto. Costumo chamar de zona caótica. Existem cousas que entram naquela zona e não retornam nunca mais. Exemplo: Meus fones de ouvido interauricolar de zíper, que comprei ano passado. Cheguei em casa e  larguei na mesinha ( tenho total certeza disso), fui tomar banho, por que sou dessas pessoas que está sempre com calor precisando de banho. Quando retornei o fone não estava mais ali. Perguntei a quem mais estava em casa comigo no momento, meu cachorro Duque, ele disse não ter visto. Procurei na bolsa, procurei pelo quarto todo, pela casa toda e nem sinal do fone mega fodão que eu comprei e nunca cheguei a usar. Pensei que poderia estar louca, ou ter sonhado que havia comprado o fone, isso acontece as vezes. Fui pra frente do PC tirar um extrato do meu cartão e lá estava a compra da poha do fone com data daquele mesmo dia. Perguntei novamente para o Duque e ele me olhou com carinha de cachorro carente. Fui brincar com ele e o fone nunca mais fora visto por aquelas bandas. Isso ocorre com diversos objetos (exceto livros e HQ) que adentram o terreno caótico. Tenho muitas teorias, a mais plausível é de que há um buraco negro no meu quarto, que com sua matéria escura suga as minhas cousas legais. Sou adulta, já beirando os trinta anos, tenho um emprego estável, um relacionamento estável, cachorros, uma boa casa que divido com minha adorável  família. Mas ainda assisto desenhos animados. Há quem veja novela, eu vejo desenho. Gosto sim de jogos de violência e não vou negar isso só por que algumas pessoas não curtem. Não, eu ainda não acabei de ler IT por que sim, senti uma pontinha de medo.
Queria tanto ser como essas pessoas que ao saber que a lagartixa não faz mal a ninguém não a teme. Eu sei que elas comem insetos e mimimi, mas eu me cago de medo, e é medo mesmo, não é só nojo, medo, pânico desse animal asqueroso. Comem os insetos, e daí? Uso SBP ( ou o que estiver na promoção) e eu mesma acabo com os insetos. Lagartixa é demais pra mim, fico histérica e apavorada. ( ando pensando em consultar um psicólogo pra trabalhar isso, pois parece que elas estão em toda parte, como em uma perseguição, mas tenho vergonha de ir a um psicólogo para isso, vou procrastinar mais um pouco, ver se elas me esquecem). Vocês estão ligados naquelas pessoas que organizam a mesa de trabalho em pilhas de documentos certinhas, com data e hora? Pois é eu estou ligada também. E também não sou assim. Minha mesa é cheia de cousas, carimbos, canetas, calculadoras, e papéis tantos que acabo usando pontinhas da mesa dos colegas. Também existem aquelas pessoas que sabem escrever direitinho, fazem começo, meio e fim. Bem, eu vou acabar isso por aqui, pois tenho dificuldades com fins. 


quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Os gatos fazem orgias na minha janela.

As madrugadas chegam úmidas e esfumaçadas, com aquele ar etéreo e blasé de quem não ta nem aí. Trazem (as madrugadas) bocas avermelhadas de batons aveludados, tilintar de extravagantes colares, tic tac dos relógios de pulso, toc toc dos passos das mulheres, como andam as putas pela madrugada. Eu aqui, no meu mundo, com meu blues, um cigarro, uma  taça com um bom vinho( sou velha demais para os vinhos baratos) e o cachorro que também não consegue dormir. Os gatos, amantes extremamente escandalosos fazem orgias na minha janela. Depois da primeira taça percebo que teu cheiro saiu do travesseiro, exalou quarto a fora, capitaneou a casa, o mundo, a vida. Teu cheiro está em tudo. Lembro de ti, sinto tua falta, rabisco algum poema de amor  que nunca verás num papel que nunca mais encontrarei em meio ao caos.   Estás aqui, sinto tua presença, no caótico quarto, perto dos livros, entre um allstar surrado e um imponente e impecável salto quinze. Estás aqui, onde eu estou, mas mais do que isso, estás aqui sempre. Assim adormeço com a mais paradoxal das saudades, enauqnto os gatos seguem profanando a minha janela.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Das fossas abissais até a lua em menos de 3 segundos.






Os bons (vivos e mortos) Neil Armstrong, Edwin 'Buzz' Aldrin e Michael Collins que me desculpem, mas eu de fato piso na lua. E eu de fato vou até o mais profundo dos poços. E eu faço isso em uma velocidade descomunal, e descobri agora que tenho tal talento. André Gorz é outro que terá de me desculpar, mas ir embora antes do final depois dessa é burrice... Isso Jung é quem explicaria, e o meu bom e velho Nietzshe com a sua ladainha do eterno retorno e seu demônio sempre a espreita não se comparam a nada perto da minha recém descoberta capacidade.



Hoje todos os violinos silenciam, hoje não há som, hoje só há respeito.
Hoje a música, o teatro, hoje a arte se cala. Os arcos ficam parados e as cordas não vibram.
Nico Nicolaiewsky  Silêncio por ti.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Não há Hecula Monastrell que me embriague...



Ando com a impressão de que tudo é grande demais, grandioso demais. Tudo anda sendo demais. Tudo tem acontecido a minha revelia. Não sei por que sinto que não faz a menor diferença. Que aconteçam então. Deixo que se sigam , mas devo confessar que tem sido (digo dos caminhos) tortuosos demais. E não há Vitor Ramil que consiga descrever, não há lucki stike que possa acalmar, não há Hecula Monastrell que me embriague o suficiente para ver a vida com os olhos que penso que ela gostaria de ser vista. Não existe carro azul que venha me buscar, não há trem, o tapete está imóvel, não sai do lugar, estou começando a desconfiar que ele não voa de verdade.. Mas posso jurar que já o usei  para isso. Deve ter estragado.Assim como eu, devo ter  estragado de fato. Ouço Nei Lisboa, dizendo que vive um velho desatino, eu também devo estar em um desses desatinos já passados de validade, nem graça deveria haver mais nestes, mas e com relação aos novos? Bem esses não tem sido assim, tão bons para valer recordar no futuro. Cansei, quero novos olhos, novos olhares, validade vigente, obsolescência inexistente, pode isso? Acho que não. Enquanto isso tudo prossegue grande demais, onde foi parar a megalomania? Também não sei...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Hoje não...



Não existe o medo, não existem borrascas, não existe a cólera, não existe o nada.
Só o que existe são os teus olhos demasiadamente pretos, teu olhar sombrio e soturno, só existe o peso das tuas lágrimas, só existe o peso da tua ausência. Hoje não existe nada que me fará esquecer, hoje não quero entender os teus motivos. Não mais me interessam tuas desculpas, hoje e somente hoje eu vou te compreender, não vou te perdoar, por que meu velho, isso nunca poderei fazer. Hoje não vou me preocupar com o resto de nós, hoje te abraçaria se a vida assim permitisse.
Hoje não estou com saudades, hoje não estou puta contigo, hoje te aliviarei.

Bruno, sempre estarás presente.